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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Culture Jamming e a subversão na comunicação de massa

Voce já ouviu falar em Culture Jamming? Ela  é uma expressão que se dá  a prática de parodiar peças publicitárias e utilizar os outdoors ou imagens publicitárias, adulterando e alterando suas mensagens de forma transgressora.
José Rodrigues Gerada que está aqui no Blog com seu trabalho é um dos precurssores desta cultura,  e prefere usar o termo “arte do cidadão”, embora alguns a identifiquem como ''arte de guerrilha''. Ao contrário dos publicitários afirma Rodriguez, esse trabalho implica uma discussão quanto às políticas de espaço público na comunidade em que é aplicado.
Através da modificação e inserção de uma frase ou modificação da mensagem original que está explícita na peça publicitária,  há uma verdade para ser dita, criando uma discussão sobre o real valor da publicidade ou do anunciante.
Os praticantes da Culture Jamming  são chamados de adbursters (ou subverting, subversão da publicidade). Eles acreditam que as pessoas devem ter  o direito de responder as imagens impostas pela indústria do consumo, pois nunca pediram para ve-las. O termo Culture Jamming foi cunhado em 1984 pela banda americana de audiocolagem Negativeland.
Para alguns estudiosos  esta prática vem traduzir uma liberdade de expressão, porque voce não é obrigado a aceitar tudo que a mídia publicitária lhe impõe. E também  tem o direito de responder e questionar os anúncios ou mensagens da mesma forma, interferindo neles. É como se dialoga-se com a mensagem.  Para muitos a Culture Jamming rejeita frontalmente a idéia de que o marketing deve ser aceito passivamente como um fluxo de informação unilateral. Para os cultuadores desta prática a aceitação de mensagens deve ser questionada, porque voce não é obrigado a aceitar a apresentação da publicidade de maneira passiva , sem questioná-la.
A intervenção dita como cultura jamming, é fazer com que fique claro que a  contramensagem interfira com a comunicação da publicidade do anunciante, revelando uma verdade oculta nos eufemismos publicitários. Há o uso de uma ironia e um deboche que  vão de paródias de propagandas , bem como intervenções  no outdoor ou peça publicitária.
A ideologia que está dentro da Culture Jamming é uma verdade da  livre expressão  e serve de crítica, já que  a comercialização de  muitas marcas  e produtos se banalizou.  Se observarmos, somos submetidos todos os dias pelo consumismo do que é melhor, do que voce deve ser, do corpo perfeito e do ideal para a sua vida. Há  uma parafernália de imagens e marcas que ficam em seu subconsciente. Uma delas é  superexposição do nu feminino na propaganda, nos filmes e  novelas.  Alguns estudiosos explicam : ''Não se trata nem de menosprezar a nudez do corpo nem a nudez feminina. Também não se trata de pura e nefasta tentativa de diminuir as mulheres que acreditam numa busca da beleza ideal. Entretanto, temos que admitir que fomos tão intoxicados com a avalanche da mesma representação do mesmo ideal de beleza, que estamos nos tornando insensíveis ao fato de que se tratam de representações e não, da realidade viva dos corpos. Na crença de que este ideal é um produto à venda no mercado, nem cogitamos mais na hipótese de que beleza talvez seja um estado de espírito''.
A  metáfora  está     em   avaliar a questão do comportamento social   através do apelo da imagem , afinal  a   beleza  pode ou não pode ser comprada?
Atualmente  a Culture Jamming  se espalha em redes de organizações coletivistas de mídia. A prática consiste em  combinar a subversão da publicidade, também com publicação de zines, rádios piratas, vídeos ativistas, desenvolvimentos na internet (o que inclui hackers invadindo sites de grandes corporações) e militância comunitária. Por outro lado há muitos artistas gráficos que fazem sucesso com a aplicação desta simbologia toda.
Para muitos  a Culture Jamming  tem um marco  histórico em 1997, quando organizações coletivas antitabaco na cidade de Nova York, compraram centenas de placas publicitárias de táxis, para fazerem ironia publicitária com as marcas de cigarro fictícias com nomes ''Lodo da Virgínia'' (Virginia Slime), ''Sonho de Fumar ''(Dream Smoke) e ''País do Cancêr'' (Cancer Country). Esta atitude  levantou  a discussão em massa,  sobre o uso abusivo de espaços públicos para propagarem  algo que deveria ser discutido e pensado  como é a questão do tabagismo.
Para muitos ela é entendida como militância, mas não deixa de ter um valor como arte se for entendida materialmente como expressão performática. É certo que ela cumpre um importante papel na discussão da cultura e dos valores da sociedade.

 












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